sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Jogo do Compasso - Capítulo IV



No capítulo de ontem...

Carlos: Qual é o seu nome?
O compasso girou lentamente. Começou indo para a letra 'M' e ficou lá por cerca de cinco segundos. Em seguida, foi para a letra 'A'. Na sequência, foi para 'U', 'R', 'O'.

Carlos arriscou fazer mais uma pergunta:
-- O que o senhor quer conosco?
O compasso moveu-se para a letra 'M', em seguida para 'O', continuando em 'R', 'T', 'E'.

Carlos: Dê uma prova que você existe, Mauro.

Parece que segundos viraram minutos. O dedo de cada um apertou-se cada vez mais no compasso, que começou a girar. O compasso girou rapidamente, mais que antes, na hora em que ele demorou a responder se era do bem ou do mal.

Carlos: Dê uma prova, agora!

As luzes se apagaram, deixando a cozinha sem nenhuma iluminação. Ninguém via ninguém. Ágata soltou um grito, mas não tirou o dedo do compasso, como seus amigos. De repente, ouviu-se um barulho de batida de porta, que repetiu-se várias vezes. Porém, os jovens não podiam tirar o dedo do compasso. A porta se abriu, e deu para ouvir isso muito bem. Porém, Marina, Carlos, Ágata e Isabela não via nada e o medo era forte demais. Após o barulho de porta, ouviu-se passos.
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CAPÍTULO IV
A morte de Marina
Os passos ficam cada vez mais sonoros. Todos com medo, até mesmo Isabela. Alguém chorava, as mãos tremiam no compasso. Os passos cada vez mais próximos. De repente, a luz acendeu. Era Júlio, para o sossego de todos. Deveria ser 22h e todos estavam perplexos com a chegada dele.
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Júlio: Vocês não deviam ter iniciado esse jogo.
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Ninguém respondeu. No fundo, Júlio estava certo e todos sabiam disso. Somente ele foi racional ao pensar em não jogar tal jogo. A porta estava aberta, pronto para todos saírem. Mas, dificilmente, ousariam em tirar o dedo indicador do compasso.
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Júlio: Pessoal, vamos sair daqui. Vocês não podem continuar a jogar isso.
Isabela: Se tirarmos o dedo do compasso, estaremos perdidos.
Carlos: Mas a gente pode pedir para sair do jogo.
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É, era esse um detalhe que todos haviam esquecido, pois a brincadeira do compasso estava sendo brincadeira até quando o espírito Mauro não havia provado sua existência. Porém, agora, após um grande susto, o que todo mundo queria era sair do jogo. Janela quebrada, porta aberta... E vários dedos no compasso. Júlio estava em pé e continuava:
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Júlio: Por favor, saiam do jogo e saiam dessa casa.
Ágata se atreveu e pediu ao compasso:
Ágata: Podemos sair do jogo, por favor?
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O compasso foi rapidamente para 'NÃO', sem rodopiar. Parecia que o espírito de Mauro sabia bem o que queria, e não era o bem de todos.
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Isabela: Gente, vamos ter que continuar até ter permissão de sair, é regra!
Júlio: Quebrem a regra.
Isabela: Para nossa vida ser amaldiçoada?
Júlio: Ela já estava quando vocês entraram nisso e se seguirem ficará cada vez mais.
Isabela: Para Júlio! Para de me botar nervosa!!
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No calor da situação, o compasso girava rapidamente por toda a folha, sem sair do círculo. Ele seguia de um lado pro outro. De repente, começou a soletra 'J' 'Ú' 'L' 'I' 'O'. O garoto olhava perplexo. O compasso começou a soletrar, outra vez, a palavra 'M' 'O' 'R' 'T' 'E'. Júlio começa a chorar. Uma faca, que estava na cozinha saiu de um pote, chegando ao ar. Estava levitando e foi até a direção de Júlio, que chorava sem parar.
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Júlio: Não! Não!
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Os amigos olhavam assustado. O compasso seguia girando insistentemente, soletrando o nome de Júlio. Era um cenário de terror, onde todos estavam sendo tomados pelo medo. Júlio tentou se desviar da faca, indo para frente, cada vez mais próximo da mesa. A faca caiu quando ele chegou ao lado de uma cadeira. Ele ficou imóvel. O compassou moveu-se, formando a palavra 'S' 'E' 'N' 'T' 'E'. Júlio o fez.
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Isabela: Pronto, agora você está no jogo!
Júlio: Eu não queria.
Marina: Pessoal, eu acho que vou desistir...
Ágata: Não!
Marina, frágil, começou a chorar.
Isabela: Aguente mais um pouco.
Carlos: Marina, devemos sair juntos, com a permissão.
Marina: Carlos, tente pedir, novamente.
Carlos respirou fundo e perguntou ao compasso:
Carlos: Mauro, podemos sair?
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O compasso respondeu de imediato, seguindo até a palavra 'NÃO', deixando todos bastante assustados. Marina estava quase tirando o dedo do compasso.
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Isabela: Pessoal, calma. Vamos fazer mais algumas perguntas.
Carlos: Mauro, você morreu com quantos anos?
O compasso moveu-se até 13.
Carlos: Ele tem a nossa idade!
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Isabela: Mauro, qundo poderemos sair do jogo?
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O compasso moveu-se formando a palavra 'N' 'U' 'N' 'C' 'A'. Marina caiu em choro e gritou:
-- Não!
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Marina tirou seu dedo do jogo, gritando e chorando. Todos olhavam perplexos pela atitude dela. Marina saiu cambaleando pelo casarão, correndo até a porta. Quase chegando lá, pronta para sair a faca que estava no chão levitou-se, novamente e a seguiu. Marina estava quase saindo, quando a porta bateu. A faca chegara a ela. O espírito de Mauro, que dominava a faca a esfaqueou. Ela levou oito facadas e caiu morta, ensanguentada.

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