quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Jogo do Compasso - Capítulo III




No capítulo de ontem...

Isabela firmou a ponta do compasso de ferro no círculo e colocou o seu dedo na parte superior dele.
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Isabela: Façam isso comigo e coloquem o dedo de vocês, também.
Todos colocaram o dedo em cima do compasso. Um dedo em cima do outro. A maior aventura da vida deles, talvez o pouco tempo de vida, começava. Quatro jovens metidos em um perigo desconhecido, numa brincadeira que não é brincadeira, onde tudo pode acontecer.

Capítulo III

O espírito de Mauro

O clima de tensão se instalou de imediato nos quatro jovens que ali estavam, sentados em volta de uma mesa. Marina, Isabela, Carlos e Ágata estavam ansiosos pelo o que iria acontecer, preocupados com o que Isa havia visto na geladeira. Mas todos estão levando o jogo muito a sério, inclusive Marina, que a minutos atrás caçoava da brincadeira.
Um silêncio tomou conta da grande e feia cozinha do casarão. Todos seguiam com seus dedos no compasso, refletindo. Isabela ainda não havia começado o jogo. Era tempo de pensar. Sabendo disso, Isabela tratou logo de mostrar as outras regras para o jogo, quebrando o gelo que se instalou na cozinha:

-- Se alguém quer desistir, desista agora. Se tirar o dedo do compasso depois do início do jogo, só Deus sabe o que vai acontecer.
Ágata: Eu topo... Não vai ser confortável ficar com o dedo num compasso, mas tudo bem. O que vale é o jogo.
Marina: Tudo bem, eu também não irei tirar o dedo do compasso.
Carlos: Idem às meninas.
Isabela: Ok. Não façam zoeiras durante o jogo.


Nem precisava dizer isso. Um clima tenso estava ali.

Isabela: Repitam comigo: "Se há algum espírito aqui, que se manifeste através desse compasso"
Todos: "Se há algum espírito aqui, que se manifeste através desse compasso".

Nada aconteceu. Mas todos repetiram, novamente:

Todos: Se há algum espírito aqui, que se manifeste através desse compasso.

Alguns segundinhos se passaram e todos permaneciam seriamente com o dedo em cima do compasso. De repente, o compasso foi se movendo até a palavra 'SIM', escrita em cima da folha. O susto foi geral. Até Isabela, a mais corajosa, se arrepiou. Marina chegava a ficar envergonhada de ter falado mal do jogo. O compasso se moveu, novamente, até o centro da folha. Ninguém quis comentar nada.

Isabela: Podemos entrar no jogo?

O compasso rodopiou a folha, até chegar, lentamente, a palavra 'SIM'.

Isabela: Com quantos espíritos estamos mexendo?
O compasso moveu-se até o número um. Ninguém tirava o olho dos movimentos do compasso na folha, e estavão curiosos com o jogo. Isabela continuava a ser dona da situação e seguia com as perguntas:

Isabela: É um homem ou uma mulher?

O compasso se moveu até a letra 'H', deixando claro que era um homem antes de morrer e ser espírito. Ágata resolveu fazer uma pergunta:

Ágata: Você é um espírito bom ou maldoso?

O compasso não se moveu. Ficou parado, para o espanto geral. Ágata queria uma resposta para a sua pergunta e fez questão de repetí-la:

Ágata: Responda, você é do bem ou do mal?

Dessa vez, o compasso girou rapidamente. Parece que a situação ficava cada vez mais tensa, nervosa. O compasso não fogia da folha de papel, mas levava o compasso e os dedos do jovens de uma direção a outra, sem parar. Isso continuou por cerca de um minuto, até parar na letra 'M', que deu conta que ele era do mal.

Marina: E agora? O Júlio tinha razão. Não devíamos ter mexido com isso.
Isabela: Deixa de frescura. A quinze minutos atrás você estava xingando esse jogo.
Ágata: Também estou com medo.

Carlos não comentou, mas fez uma pergunta ao espírito:
Carlos: Qual é o seu nome?

O compasso girou lentamente. Começou indo para a letra 'M' e ficou lá por cerca de cinco segundos. Em seguida, foi para a letra 'A'. Na sequência, foi para 'U', 'R', 'O'.

Marina: Ele se chama Mauro. Mauro, um espírito do mal!

Carlos arriscou fazer mais uma pergunta:
-- O que o senhor quer conosco?
O compasso moveu-se para a letra 'M', em seguida para 'O', continuando em 'R', 'T', 'E'.

Marina: Ai, Meu Deus! Para quê eu fui entrar nessa brincadeira!
Isabela: Marina, agora não tem como voltar atrás. Enfrente.
Carlos: Calma, acredito que nós mesmo estamos movendo o compasso.
Isabela: Não é isso Carlos. Eu acredito em espíritos.
Marina: Ah, fala sério. Eu acredito no que Carlos disse.
Ágata: Não, Marina. Você quer acreditar. É diferente.
Carlos: Esse jogo é para se comunicar com o Além. E todos sabiam disso, antes de começá-lo. Eu sei que isso por ter consequências desastrosas. Abrimos as portas para a comunicação com o mundo dos espíritos. Mas se alguém estiver mexendo esse compasso, fale logo.

Silêncio por alguns segundos.

Ágata: Não, eu não estou mexendo.
Marina: Nem eu.
Isabela:Idem para as meninas.
Carlos: Então devemos pedir uma prova para o espírito, além dos movimentos no jogo.
Ágata: O quê por exemplo.
Carlos: Peço que se concentrem no jogo.
Alguns segundos de silêncio seguiram. Todos estavam com seu dedo no compasso. O relógio marcava 21h45. Tensão, concentração... Marina, Isabela e Ágata esperavam um pedido de Carlos ao espírito Mauro. E essa pergunta chegou:
Carlos: Dê uma prova que você existe, Mauro.

Parece que segundos viraram minutos. O dedo de cada um apertou-se cada vez mais no compasso, que começou a girar. O compasso girou rapidamente, mais que antes, na hora em que ele demorou a responder se era do bem ou do mal.
Carlos: Dê uma prova, agora!

As luzes se apagaram, deixando a cozinha sem nenhuma iluminação. Ninguém via ninguém. Ágata soltou um grito, mas não tirou o dedo do compasso, como seus amigos. De repente, ouviu-se um barulho de batida de porta, que repetiu-se várias vezes. Porém, os jovens não podiam tirar o dedo do compasso. A porta se abriu, e deu para ouvir isso muito bem. Porém, Marina, Carlos, Ágata e Isabela não via nada e o medo era forte demais. Após o barulho de porta, ouviu-se passos.










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