quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Jogo do Compasso -- Capítulo II



No capítulo de ontem...


Júlio: Meu Deus, não joguem isso. O jogo nunca tem fim, mesmo vocês saindo desse jogo o espírito estará do seu lado. E ainda vão brincar em casa? O espírito vai ficar lá! Se querem brincar, brinquem em lugar aberto. Esse jogo não é bom!
Isabela: Pare Júlio! Entre logo nisso e deixe de ser medroso.
Júlio: Não sei.
Isabela: Júlio, somos cinco!
Júlio: Tenho medo de me arriscar.
Isabela escreve seu endereço e entrega a Júlio.
Isabela: Tome. Pense se você vai ou não.
.
Isabela faz o mesmo com todos os outros, ainda com um compasso em seu bolso.


Capítulo II

O Jogo

Era 20h30. Isabela, em sua casa, se arrumava para o jogo, que aconteceria depois de meia hora. Ela penteava o cabelo com sua escova preferida. Vestia uma calça jeans e uma blusa simples e verde. Pensava sobre o jogo. O compasso estava na mesa do seu computador. Isabela havia dito a mãe que saíria com os amigos, e não contou nada sobre o jogo.

Fazia frio na rua, que era de um bairro calmo de São Paulo. Ela aguardava os amigos, na porta de casa, alguns minutos depois. Observava o casarão abandonado no final da rua. Já era 20h45 e os pensamentos de Isabela eram muitos. A frase de Júlio, que disse que ela mexeria com o desconhecido fazia ela refletir, apesar de muito corajosa.

A palavra desistir realmente não fazia parte do vocabulário dela. Já era 20h45 e Isabela continuava na porta de casa, esperando os amigos. Ágata chegou e logo viu a amiga.

-- "Oi Isa!", disse Ágata de uma forma não tão feliz, surpresa com o casarão que via no fim da rua.

Isabela: Oi Ágata, e o resto da turma?

Ágata: Calma. Ainda são 20h45. Marina me telefonou ainda mais cedo, e disse que iria vir para rir da cara de vocês...

Isabela: Eu que irei ver ela tremendo de medo! Bom, o Carlos não falou com você? Assim, acho que só as meninas vão jogar.

Ágata: Eu estava falando com o Carlos quando saí da escola. Ele estava animado para jogar. Não sei se ele vem... E o compasso?

Isabela: Ah, é verdade. Deixei lá em cima, no meu quarto. Ainda esqueci de papel e lápis. Fique aí e já volto.

Isabela entrou e subiu as escadas, que davam até seu quarto. Ágata ficou sozinha e ainda estava impressionada com o casarão. Ela andava até o final da rua para ver de perto. Já era 20h50 e estava muito frio. Cada vez mais perto do castelo, Ágata sentiu um medo e chegou a ver as luzes do casarão apagarem e acenderem sozinha, por apenas uma vez, sem contar num vulto que chegou a ver.

-- "Isso deve ser imaginação da minha cabeça", disse ela. De repente, ela sentiu algo cutucando seu pescoço, como se alguém tivesse a chamando. Na tensão do momento, ela levou um susto e deu um grito altíssimo, que assustou Isabela, que já estava saindo do quarto. Interrompida, foi até a pequena janela e ver o que estava acontecendo.

Ágata virou-se, enquanto Isabela via a cena. Era Carlos, que acabava de chegar. Irritada, Ágata o repreendeu gritando seu nome. Isabela fechou a janela, saiu do quarto, desceu as escadas até chegar a rua. Ela andou até Carlos e Ágata.

Isabela: Que susto, Ágata!

Ágata: Susto levou eu.

Carlos: Falta a Marina e o Júlio.

Isabela: Marina, tudo bem. Ela deve estar a caminho, mas o Júlio não sei não.

Ágata: Verdade, Isabela. O Júlio é muito medroso, não aguentaria o jogo.

Carlos diz apontando para Marina, que chegava: Olhem a Marina ali!

Marina vinha com seus cabelos cacheados soltos. Usava salto alto e vestido, apesar do grande frio que fazia. Todos foram até ela.

Marina: Boa noite... Tudo pronto para o joguinho?

Isabela: Você verá o que é joguinho quando esse compasso começar a rodar.

Marina: Isso quero ver.

Carlos: Poderíamos filmar o jogo.

Isabela: Não... Sei lá, talvez o espírito rejeite.

Marina ri e diz em seguida: Espírito...

Ágata: Marina, não zombe...

Marina: Ok. E quando a gente começa isso?

Isabela: Já foi ultrapasso 21h... Podemos começar. O Júlio não vem mesmo...

Marina: Ok, então. Vamos entrar?

Os jovens estavam já em frente ao casarão. Ele tinha dois andares, com um jardim pobre, sem cuidados. As teias de aranha estavam presentes até na massaneta. A parede de fora estava descascada. Um cenário perfeito para uma noite de terror.

Marina, Ágata, Carlos e Isabela se aproximaram da porta. Isabela praticamente comandava o grupo e colocou sua mão sobre a massaneta da grande porta de madeira que dava acesso a parte interna do casarão.

Isabela torceu a massaneta e disse:

-- A porta está trancada!

Ágata: E agora?

Marina: Ah, gente, precisa ser aqui mesmo?

Todos ignoraram o comentário de Marina, mas Carlos, como sempre, teve uma ideia:

-- Poderiamos quebrar a janela de vidro e entrar por lá.

Isabela: Boa ideia, vamos fazer isso.

Todos seguiram até o final do casarão. Deveria ser a cozinha e tinha uma pequena janela lá. Cada um atirou uma pedra pela janela, para assim poderem entrar.

Isabela: Pronto. A aventura começa agora!

Isabela pulou janela a dentro, seguida por Marina, Ágata e Carlos. Era, mesmo, a cozinha. Todos estavam dentro da casa. A cozinha era grande, mas não tinha nenhum mantimento lá. Havia pequenos armário para guardar alimentos, porém, todos tinham somente teias de aranha. A geladeira estava enferrujada.

Isabela não hesitou em abrir ela para ver o que tinha. O grupo não falava nada, só observavam o espaço, que tinha uma mesa grande. Isabela caminhava até a geladeira e abriu ela. Isabela soltou um grito, que fizeram todos olharem para ela. A geladeira tinha um cachorro morto, cheio de sangue. Isabela fechou imediatamente a geladeira.

Isabela: Que horror!

Carlos: Esqueça, Isa. Vamos começar logo isso.

Marina: Exato!

Todos estavam em pé e sentaram em cadeiras, em volta da mesa. Haviam cinco cadeiras.

Ágata: Como joga mesmo?

Isabela colocou o compasso, uma folha de papel e um lápis na mesa.

Isabela: Com o lápis, se faz um círculo no papel. Em volta desse círculo, devemos colocar as letras do alfabeto, números de 1 á 10. Em cima, a palavra 'SIM' e, em baixo, a palavra 'NÃO'.

Enquanto explicava, fazia o que dizia e continuava:

-- Dentro desse círculo, você faz uma pequena bolinha, onde a ponta do compasso será colocado.

Marina: Entendi a palhaçada!

Ágata: Vamos jogar?

Isabela firmou a ponta do compasso de ferro no círculo e colocou o seu dedo na parte superior dele.

Isabela: Façam isso comigo e coloquem o dedo de vocês, também.

Todos colocaram o dedo em cima do compasso. Um dedo em cima do outro. A maior aventura da vida deles, talvez o pouco tempo de vida, começava. Quatro jovens metidos em um perigo desconhecido, numa brincadeira que não é brincadeira, onde tudo pode acontecer.

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